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UMA MÃE DE CORAÇÃO... e algo mais

Este blog, mais do que "mãe de coração" tem "fragmentos de uma vida comum". Uni os dois blogs e, aqui, falo de adopção em geral, da nossa experiência e de outros pedaços da minha vida.

UMA MÃE DE CORAÇÃO... e algo mais

Este blog, mais do que "mãe de coração" tem "fragmentos de uma vida comum". Uni os dois blogs e, aqui, falo de adopção em geral, da nossa experiência e de outros pedaços da minha vida.

20
Abr16

Ser mãe não é ser amiga

O meu filho já me disse vezes e vezes sem conta que me odeia... e sim, é verdade que por vezes magoa e me deixa triste, apesar de saber que não é verdadeiramente sentido... e outras vezes, ainda que não me deixe feliz, dá-me a certeza de que estou a fazer o mais correcto para ele.

 

Ainda ontem ouvi dizer que os pais não podem nem devem entrar num concurso de popularidade com os filhos. O papel dos pais é cuidar, ensinar, educar, preparar para o futuro, de modo a que estes sejam adultos responsáveis, produtivos e felizes. O que prejudica os filhos, mais do que o resto, é esquecermo-nos do nosso papel de pais e querermos fazer o papel de amigos.

 

Oiço, por exemplo, amigas minhas queixarem-se que os filhos passam o tempo agarrados aos telemóveis, e eu pergunto-lhes: "Se achas errado, porque não lho tiras?" ao que respondem: "Ah se faço isso, faz logo uma birra. Se não o deixo jogar começa a ficar irritado, a discutir por tudo e por nada, e chora que não tem nada para fazer... enfim, acabo por desistir!"

 

É verdade, há alturas que dá vontade de baixar os braços, mas cada vez que me lembro do olhar triste de uma adolescente a dizer-me que a mãe é a melhor amiga dela, mas que às vezes gostava de ter mãe!! Meu Deus, fiquei de coração partido, especialmente, porque esta adolescente já foi muito acusada de ser assim e ser assado, mas a verdade é que realmente nunca teve uma "mãe"!! 

 

Por muito que me custe ver o meu filho triste, aborrecido, zangado, frustrado, prefiro vê-lo assim agora e que aprenda a lidar com esses sentimentos, a nunca lhe ensinar e vê-lo em adulto sofrer muito mais. Confesso que há dias em que me sinto cansada, e com certeza não tenho a melhor atitude, mas como lhe digo sempre, há que reconhecê-lo, pedir desculpas e fazer melhor.

 

Nas últimas semanas tenho-o notado mais desafiador, sempre a contrariar, a fazer o oposto do que devia, a criar discussão em todas as conversas que tento ter com ele... há dias que não me apetece nada ir busca-lo há escola porque sei que a viagem vai ser a discutir!

 

Quando tento conversar com ele a resposta é sempre a mesma: "Não sei!" mas no outro dia, encolheu-se meio envergonhado e disse: "Acho que é mimo a mais!" eu ri-me e disse que isso é o que o pai diz na brincadeira e ele disse que não, que o pai faz mais vontades que a mãe e ele queria que eu também lhe fizesse as vontades!!! Respondi-lhe que não pode ser assim, que se lhe fizesse as vontades não estaria a fazer um bom trabalho a educa-lo. Respondeu que sabia disso mas não gostava! Eu disse-lhe que também não gostava muito, mas como gostava dele fazia o sacrifício de ser a "má" e continuar a educá-lo... acabou a bem essa conversa mas passado umas horas nova contrariedade, nova birra!!

 

Enfim, custa, mas quero ser mãe dele, não apenas amiga e isso implica, às vezes ouvir um "odeio-te", "não gosto de ti", "és má" ... e outras coisas que filhos/as dizem aos pais, mesmo quando não o sentem! Nesta função, há dizer que não, há deixar errar, há dar conselhos ainda que não o tenham pedido, há que elogiar, há que criticar... basicamente há que fazer muito do que não é agradável mas necessário para aprenderem a viver num mundo que raramente é um mar de rosas!!!

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