Semear para colher!?!
Na sinopse do livro "Abandono e Adopção" de Eduardo Sá e Maria Clara Pereira de Sousa Sottomayor encontrei a seguinte frase:
"Quando se quer fazer de um filho uma criança adoptada, ter um filho é uma obra de caridade. Quando se quer fazer duma criança adoptada um filho, reconhecemo-nos nele, e toleramos melhor a nossa condição humana. Sobretudo porque ele será tudo aquilo que não fomos e fará o que deixámos por fazer."
Esta é uma verdade absoluta, para mim. Nunca vi o meu filho como uma obra de caridade e sempre me revoltei contra quem acha que é! Detesto a ideia de pensar nele como um coitadinho, independentemente de me corroer o coração a ideia do que ele passou até chegar aos meus braços e o que passa para se libertar do passado.
Ao mesmo tempo revejo-me nele, as lutas que travei na infância, as dificuldades que tive em me aceitar, em gostar de mim, em confiar em mim mesma, sempre com o desejo de agradar e sempre camuflando a verdade com uma aparente alegria de sorriso fácil.
O meu maior desejo é que ele não precise do tempo que eu precisei para ter a auto-confiança que demorei a conseguir. Queria poder ensina-lo a apreciar o momento, a aceitar-se como é sem necessitar da aceitação dos outros, e embora saiba que é uma utopia desejar que uma criança de 9 anos tenha essa capacidade, não consigo deixar de desejar ter essa magia dentro de mim. A poção mágica que acaba com todo o mal e só o deixa saborear o que há de bom na vida!
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Mas será que não são as dificuldades, os obstáculos da vida vencidos que nos transformam em pessoas fortes e seguras? Enfim, resta trabalhar dia a dia para alcançar as pequenas vitórias e saber esperar que o que semeamos hoje seja colhido no futuro!