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UMA MÃE DE CORAÇÃO... e algo mais

Este blog, mais do que "mãe de coração" tem "fragmentos de uma vida comum". Uni os dois blogs e, aqui, falo de adopção em geral, da nossa experiência e de outros pedaços da minha vida.

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Este blog, mais do que "mãe de coração" tem "fragmentos de uma vida comum". Uni os dois blogs e, aqui, falo de adopção em geral, da nossa experiência e de outros pedaços da minha vida.

12
Jan15

Quando nos conhecemos - a 1ª Semana #1

Termino com este primeiro parágrafo. Quando comecei a escrever este post pretendia fazer um pequeno relato do que tínhamos feito na semana em que fomos conhecer o meu filho, principalmente porque foi uma das épocas de maior ansiedade para mim, a altura e o antes, não sabia o que seria suposto fazer nesses dias. Há medida que escrevia percebi que havia pormenores que gostaria de recordar mais tarde e por isso fui incluindo, tentei não repetir muito o que já havia falado em posts anteriores mas nem sempre foi possível, assim acabei por dividir em 3 dias este tema, e aqui está o primeiro.

 

Segundo nos explicaram na SS, a regra para o primeiro contacto, entre os pais e a criança, é de uma semana (de segunda a sexta). No primeiro dia estarão presentes as Assistentes Sociais (AS) de todos os órgãos envolvidos no processo, nos restantes a criança passa o dia com os pais mas regressa ao fim do dia à instituição e no último dia, se tudo correr bem durante a semana, os pais podem, então, levar a criança para casa.

 

Todas as saídas têm de ser autorizadas pelas AS da Instituição, ainda que só possamos conhecer o nosso filho depois de recebermos a notificação do tribunal que nos indica como tutores provisórios. Como ao fim-de-semana, as AS não estão na casa, os pais não podem ir buscá-los.

Connosco, contudo, não foi bem assim!

Primeiro, porque a burocracia atrasou o nosso primeiro momento, depois tivemos de coordenar as nossas agendas pessoais (o meu marido ainda estava em consultas e tratamentos) e entretanto, a agenda das AS da SS que nos iriam acompanhar também estava sobrecarregada. Assim, ficou agendado o 1º encontro para uma quarta-feira (na semana seguinte era carnaval o que implicaria adiar mais duas semanas o encontro). Sendo o nosso filho já crescido disseram-nos que havia a possibilidade de trazê-lo para casa na sexta-feira dessa mesma semana.

 

E, então, rumámos em direcção ao desconhecido! Em determinado momento da viagem inspirei fundo e pensei que aquelas eram as ultimas horas de uma família de dois, que dali em diante nada mais seria igual, e segui viagem com o nó no estômago e um turbilhão de coisas na cabeça. Á chegada ligámos às nossas AS que estavam atrasadas e assim tivemos de aguardar na rua por elas (tudo a incrementar a nossa ansiedade). Meia-hora depois, a quatro entrámos na Instituição e fomos encaminhados para uma sala com mais quatro AS's - duas da instituição e duas da SS local - onde nos iriam apresentar todos os dados disponíveis sobre o nosso filho. "Têm alguma questão para nos colocar?" - perguntaram. Respondi: - "Mil, mas não me lembro de nenhuma.".

 

De seguida fomos levados para uma salinha de estar e então apresentaram-nos o pequeno! Se nós, adultos, estávamos nervosos imaginem uma criança de nove anos. Não o abracei (embora de ardessem os braços de desejo), perguntei apenas se lhe podia dar um beijo (havia lido algures que devemos respeitar o espaço físico das crianças e nunca dar beijos ou abraços sem antes pedir licença), e sentámo-nos para conversar (as AS da instituição estavam presentes). Confesso que não sabia o que lhe dizer, parecia que era a primeira vez que estava em frente de uma criança, de repente não sabia o que dizer ou fazer...foi tudo muito estranho! Optei pela sinceridade e disse-lhe que estava nervosa e que não sabia muito bem o que lhe dizer. Sem me olhar directamente disse: - Eu também! ... Sugeri, então, revermos o álbum de apresentação que ele havia feito para os futuros pais, e assim passámos em revista toda a informação que lá colocou e actualizámos as coisas, afinal já era informação antiga (tinha sido feito no Verão anterior).

 

Depois as AS propuseram que ele nos fosse mostrar a vila, a pé, e ele decidiu levar-nos ao parque de diversão no centro, mas pediu que as AS fossem connosco (disseram-nos que por norma é sempre assim). Quando saiu à porta deu a mão ao "pai" e lá foram os dois na conversa, eu segui atrás para deixa-los travar conhecimento, até ali era eu que tinha falado mais. As AS seguiam bem mais atrás e ele nem procurou por elas. Há hora de almoço fomos leva-lo à instituição para o almoço, ainda não estava preparado para almoçar sozinho connosco. De tarde foi hora de passear de carro connosco. (convenhamos que nunca vi uma atracção tão grande por botões, por mais que o chamasse À atenção esteve sempre a abrir e fechar o vidro ao lado dele!!!)

 

Procurámos alguns locais para visitar, monumentos, castelos e fomos ambientando-nos uns aos outros. A determinada altura ele hesitava na forma de nos tratar, ora era pelo nome próprio ora por mãe e pai, ora era por você ora era por tu. Foi o momento de o esclarecer, sim seriamos os pais dele, sim podia tratar-nos por tu e poderia escolher entre tratar-nos pelo nome ou mãe e pai. Ficou em silêncio e no momento seguinte já era tudo natural e simples. Éramos o pai e a mãe (se bem que o pai foi primeiro e sem hesitação, o mãe custou um pouquinho mais a sair). 

 

Quando regressámos do passeio fomos fazer o check in ao hotel onde ficaríamos, quisemos que fosse connosco para saber que estaríamos por perto apesar de não estar connosco. Foi com alguma surpresa que viu uma cama a mais no nosso quarto (havíamos reservado um quarto triplo para qualquer eventualidade) e por isso explicámos-lhe que a cama seria para ele caso quisesse dormir connosco. Ficou pensativo e respondeu: - Amanhã eu fico! - Ok, será como tu escolheres. - respondi. Jantámos os três e fomos deixa-lo de seguida à Instituição, se o dia não tinha sido como eu imaginava, o momento de o deixar foi muito pior.

Chegados ao hotel desmoronei, estava a sentir-me a pior das mulheres, das mães, como explico no post Quando encontrei o meu filho...

 

...continua

 

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