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UMA MÃE DE CORAÇÃO... e algo mais

Este blog, mais do que "mãe de coração" tem "fragmentos de uma vida comum". Uni os dois blogs e, aqui, falo de adopção em geral, da nossa experiência e de outros pedaços da minha vida.

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12
Nov14

Quando a noite cai!

 

modelo pintura em fralda bebezinho.jpg

 

 

Na reunião que tivemos com as assistentes sociais da casa onde o nosso filho estava, uma das primeiras coisas que nos disseram é que era uma criança com alguns problemas durante a noite. Tinha muita dificuldade em adormecer e tinha um sono muito agitado, mexendo-se muito e acordando diversas vezes.

 

No segundo dia que estivemos com ele, já quis passar a noite connosco no hotel (tinhamos reservado quarto triplo para esta eventualidade e ele já lá tinha estado). Quando foi para a cama, estivemos na brincadeira durante um tempinho até que lhe disse que era hora de dormir, que estariamos na cama ao lado se precisasse de alguma coisa. Assim que se virou adormeceu profundamente. Confesso que não tendo dormido na noite anterior (fim do primeiro dia tinhamo-lo deixado de volta na instituição - assunto para outro post) estava de rastos, mas nem assim consegui dormir direito e por isso fiquei de vigia, algo desnecessário pois dormiu profundamente toda a noite!

 

Quando chegámos a casa, correu para o quarto dele (reconheceu pelo album - assunto para outro post) achei que se sentia tão bem ali que não teria problemas também em dormir sozinho no quarto. Estava errada!

 

Foi para a cama sem problema, pediu para ficar a ler um pouco um dos muitos livros que preenchiam as estantes do quarto, e então despedimo-nos dele depois de alguns mimos ficando de voltar para apagar a luz quando estivesse a dormir. Passado meia hora encontrei-o deitado de olhos esbugalhados a olhar o tecto, perguntei se não tinha sono, encolheu os ombros... perguntei se estava preocupado com alguma coisa, encolheu os ombros...perguntei, então, se estava com medo, encolheu os ombros...quando perguntei se queria que eu ficasse ao pé dele até adormecer, aí respondeu que se eu quisesse podia ficar!! Nem 5 minutos foram precisos para adormecer profundamente.

 

As noites seguintes foram iguais, tentámos que adormecesse sozinho até luz de presença arranjámos mas o resultado era sempre o mesmo, acabava sentada ao lado dele à espera que adormecesse. E assim passaram meses, até que chegaram as férias e aí fizemos um "trato". No primeiro mês eu ficaria 10 minutos a fazer-lhe companhia e no mês seguinte já ficaria sozinho. Claro que em todos estes momentos de mudança houve alguma resistência, mas fomos sempre recordando-lhe que o fazíamos para bem dele, para que desenvolvesse autoconfiança e também que pudesse confirmar que podia confiar em nós! Numa dessas noites de maior resistência quando já era suposto ficar a dormir sozinho, acabou por confessar que tinha medo que saíssemos e o deixássemos sozinho em casa (parece que era um hábito no seu passado) - sem querer dar a entender o que sabia disse-lhe apenas que não achava muito responsável deixar uma criança sozinha em casa e por isso não o fazia, mas que ele só poderia saber se era verdade ou não experimentando! Mais uma vez mostrou a sua coragem e assim fez! Nos primeiros tempos demorava mais tempo a adormecer como é natural.

 

Sobre a agitação de que nos falaram, percebemos nos primeiros fins de semana em que o deixávamos ficar até mais tarde que esse era o real problema. Deitar depois das 10h significava ficar quase uma hora para adormecer levantava-se durante a noite para beber água ou para ir à casa de banho, e acordava sempre mais cedo. Então resolvemos não abrir excepção ao fim de semana durante meses deitava-se sempre à mesma hora, mas também isso mudou e agora já temos um tempinho extra à noite aos fins de semana e férias.

 

Hoje em dia continuo a ir com ele na hora de deitar, temos uns minutos de mimos e conversa e depois fica a adormecer sozinho! Já não o faço porque ele precisa mas porque me dá um prazer imenso aquele momento que é só nosso!

 

Só não conseguimos apagar as luzes e encostar a porta do quarto, mas cada coisa a seu tempo. Como nos diziam as Assistentes Sociais, cada criança tem uma necessidade diferente, tem os seus medos e "fantasmas" e compete aos pais ver e saber o que é melhor!

 

 

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