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UMA MÃE DE CORAÇÃO... e algo mais

Este blog, mais do que "mãe de coração" tem "fragmentos de uma vida comum". Uni os dois blogs e, aqui, falo de adopção em geral, da nossa experiência e de outros pedaços da minha vida.

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Este blog, mais do que "mãe de coração" tem "fragmentos de uma vida comum". Uni os dois blogs e, aqui, falo de adopção em geral, da nossa experiência e de outros pedaços da minha vida.

09
Mar16

Conversas sérias

Depois da conversa da semana passada e do resultado da mesma, achei que algo tinha de ser feito. Logo no fim-de-semana foi advertido para as "tentativas de chantagem" e o mau resultado que poderia obter se insistisse nessa atitude.

Convenhamos que pareceu nem ouvir. 

 

Agora esta semana, aproveitei um momento de boa disposição e uma frase que ele tinha dito no domingo à tarde com uma leve menção ao passado dele, e iniciei uma conversa aberta sobre o assunto.

 

Sem muitos rodeios, sem meias palavras, falei sobre o que eu sentia sobre o passado dele, o que sentia em relação aos outros pais e fui-lhe pedindo opinião, explicando sentimentos. Aceitou a conversa muito bem... houve momentos de embaraço (ele sentia-se incomodado) e de emoção (quando lhe vieram lágrimas aos olhos) que confrontei directamente com "não precisas de estar envergonhado!" "eu sei que te deixa triste" "compreendo que te incomode e eu não te quero magoar". 

 

Mas, de tudo o que falou e eu falei, a marca maior foi quando lhe disse que quando o responsabilizava pelas suas escolhas erradas, nada tinha a ver com o passado dele, desse não tem culpa alguma. E ele responde: "mas até tenho, porque eu não me portava sempre bem!"...confesso que levantei um pouco a voz quando lhe respondi: "Nem penses! Tu não tens culpa alguma do que aconteceu no passado, essa é uma responsabilidade exclusiva dos adultos!" 

Ele arregalou os olhos brilhantes: "Achas mesmo mamã?" "Certeza absoluta!!" E vi o ar libertar-se do peito como se lhe tivesse tirado um peso de cima!

 

Tenho ouvido muito sobre o "proteger" as crianças, o não lhes falar sobre os assuntos de adultos, e até concordo, num determinado limite. A verdade é que as crianças vêem o que não mostramos, sentem o que sentimos, percebem o que não dizemos, fazendo uma interpretação lógica infantil de quem não tem os factos todos. Isso acontece com todas, e as que foram separadas dos pais, as que têm os pais separados, as que vivem entre o cá e o lá tendem a interiorizar estas situações como sendo da responsabilidade delas, e porque ninguém lhes explica convenientemente o que se passa elas prendem-se na culpa. Sei que não mudei nada na cabeça do meu filho, mas espero ter deixado uma "brecha" para que com o tempo possamos limpar o assunto de vez!

 

 

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