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UMA MÃE DE CORAÇÃO... e algo mais

Este blog, mais do que "mãe de coração" tem "fragmentos de uma vida comum". Uni os dois blogs e, aqui, falo de adopção em geral, da nossa experiência e de outros pedaços da minha vida.

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21
Out14

As histórias longe da verdadeira história

Durante os primeiros meses ouvimos uma série de histórias e comentários do meu filho sobre o passado dele. Era qualquer coisa como: - Olha X amanhã vamos visitar o lugar Y! - ao que ele respondia: - Não quero, já lá estive com o meu outro pai! - claro que sabíamos que não era verdade, mas apenas dizíamos: - Ok, então vais visitar novamente, quem sabe encontras algo que não viste da primeira vez! - escusado será dizer que saía de casa sempre amuado, mas depois de chegar aos sítios adorava.

 

Noutros momentos em que se falava sobre qualquer coisa que se tinha feito ou alguém nos dizia que tinha feito (andar de barco, ir à pesca, conduzir camião, visitar o quartel de bombeiros, etc.) para tudo isso e mais, ele dizia sempre que ou já tinha feito com o outro pai ou o outro pai fazia, e em tudo, mesmo sabendo ser mentira, evitávamos dar a entender o que sabíamos.

 

Sempre achei que deixar passar uma mentira por mais pequena que seja, acaba por ter mais tarde consequências e as mentiras aumentam. Pode ser que nem sempre seja assim, mas comigo foi assim, em criança comecei a inventar histórias que todos achavam piada, depois vieram as mentirinhas e a seguir tentava mentir por qualquer coisa ainda que não ganhasse nada com isso e só parei depois de ser várias vezes castigada e portanto, quero melhor para o meu filho.

 

Por isso, quando as invenções passaram a pequenas mentiras, coisas insignificantes do dia a dia, mudei a minha atitude e passei a confrontar essas mentiras, com advertências sobre as consequências das más escolhas.

 

É verdade que nunca mentiu sobre algo sério nem tenta esconder, é fácil perceber quando algo está errado, mas partilho do pensamento registado no provérbio "de pequenino se torce o pepino" assim, prefiro tomar uma atitude mais cedo do que mais tarde.

 

Primeiro tentámos o dialogo, várias chamadas de atenção, até que acabámos por "ameaçar" terminar com os privilégios (bicicleta, computador, televisão) por tempo indeterminado. Parece que surtiu efeito, as invenções começaram a diminuir e as mentiras também. 

 

Não tenho ilusões e sei que vão voltar a acontecer, espero apenas conseguir identificá-las e agir convenientemente e na hora certa, mas isso é o que todos pais desejam, ou não?!?

 

Quanto às histórias do passado, as verdadeiras continuam guardadas dentro dele, as inventadas são também quase inexistentes. Numa das suas últimas invenções sobre o passado acabei por falar: expliquei-lhe que não precisava inventar mais sobre o passado, nós conhecíamos muita coisa sobre ele e portanto sabíamos o que era verdade ou não (ok, se calhar não pratico o que prego já que não sabemos assim tanto, mas é por um bem maior, digo eu) e que, se não  falávamos sobre o assunto era apenas por sabermos que lhe era difícil e que queríamos respeitar o tempo dele recordando-lhe também, que o amávamos independente de tudo e que quando quisesse abrir-se connosco estávamos disponíveis.

 

Continuo dividida entre o certo e o errado, sei que sou um bocadinho repetitiva nesta questão, e não, não pretendo que me digam que estou certa apenas porque quero ter razão, mas porque sei que esta é a maior batalha que os pais travam consigo mesmos e por vezes, a forma como alguns falam faz parecer que têm todas as certezas do mundo, quem tem duvidas não é competente. Para mim é exactamente o oposto!

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