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UMA MÃE DE CORAÇÃO... e algo mais

Este blog, mais do que "mãe de coração" tem "fragmentos de uma vida comum". Uni os dois blogs e, aqui, falo de adopção em geral, da nossa experiência e de outros pedaços da minha vida.

UMA MÃE DE CORAÇÃO... e algo mais

Este blog, mais do que "mãe de coração" tem "fragmentos de uma vida comum". Uni os dois blogs e, aqui, falo de adopção em geral, da nossa experiência e de outros pedaços da minha vida.

06
Jul16

A morte em vida!

 

Alguém já viu?

Conhece esta espécie de morte que nos leva mas nos deixa para trás??

Eu conheço... mas não é de mim que falo!

 

Como cuidadora de uma pessoa com demência, assisto, diariamente, à sua morte. Este processo longo e lento é tão torturante para quem o vive como para os que o assistem. Vivo a luta diária de tentar mantê-la consciente, minimamente alerta, confortável... feliz!! E todos os dias sinto que falhei. 

 

No ultimo mês, o declínio foi tão acentuado e abrupto que nada mais resta do que esperar um fim inevitável que, para ela, tarda em chegar. Nós que a amamos, e que cuidamos, vivemos em suspenso, na corda bamba, entre o desejo da manter perto de nós e o desejo de lhe aliviar o coração que pede descanso.

 

Pergunto-me muita vez, que direito temos nós humanos de prolongar a existência de outro ser humano que já não se sente vivo... será mais "humano" este prolongamento imposto por medicamentos e tratamentos que em nada melhoram a qualidade de vida? não será um tanto egoísta da nossa parte prolongar-lhe esta "vida" da qual ela há muito desistiu??? ... não sei...

 

Por aqui vivesse um dia de cada vez a assistir à sobrevivência de quem já cá não está!!

 

Morte em Vida

Um dia mais passou e ao passar
Que pensei ou li, que foi criado?
Nada! Outro dia passou desperdiçado!
Cada hora já morta ao despontar!

Nada fiz. O tempo me fugiu
E à Beleza nem uma estátua ergui!
Na mente firme nem credo ou sonho vi
E a alma inútil em vão se consumiu.

Então me caberá sempre ficar
Qual grão de areia na praia pousado,
Coisa sujeita ao vento, entregue ao mar?

Ah, esse algo a sofrer e a desejar,
Inda menos que um ser inanimado
Sempre aquém do que podia alcançar!

Alexander (Heterónimo de Fernando Pessoa)

 

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